A estratégia de desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul deverá entrar em uma nova etapa caso o governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, avance com seu projeto para o período de 2027 a 2030. Depois de concentrar esforços na atração de grandes empreendimentos, o governador pretende agora aumentar a participação de trabalhadores e empresas sul-mato-grossenses na cadeia de negócios criada por esses investimentos.
A mudança de foco ocorre em um momento de forte expansão da economia estadual. O Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul saltou de R$ 91,9 bilhões em 2016 para R$ 184,4 bilhões em 2023. Naquele ano, o Estado cresceu 13,4%, enquanto a média brasileira ficou em 3,2%, em um movimento associado à diversificação produtiva e ao avanço da indústria de transformação.
Desde 2023, mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados foram atraídos para Mato Grosso do Sul, principalmente nos setores de celulose, bioetanol, proteína animal e logística. A agroindustrialização e a mineração também ganharam espaço na estratégia econômica estadual.
Para o governo, o desafio político e econômico agora é transformar os grandes anúncios de investimentos em efeitos mais distribuídos pela economia. A ideia é fazer com que parte maior dos recursos movimentados por grandes indústrias permaneça no Estado por meio da contratação de fornecedores locais, geração de empregos, prestação de serviços e desenvolvimento de novas empresas.
“A competitividade não se limita à capacidade de atrair uma fábrica: precisa alcançar as pessoas que poderão trabalhar nela e as empresas que poderão fornecer para ela”, afirma Riedel.
Economia local
A proposta representa uma mudança de perspectiva na política econômica. Se, em um primeiro momento, a prioridade foi criar condições para a chegada de grandes empresas, a próxima fase pretende fortalecer a rede de negócios formada ao redor desses empreendimentos.
Uma indústria de grande porte demanda transporte, manutenção, alimentação, segurança, tecnologia, construção civil, consultorias, equipamentos e uma série de outros serviços. Quanto maior a participação de empresas de Mato Grosso do Sul nesse mercado, maior tende a ser a circulação interna da riqueza gerada pelos novos investimentos.
O plano prevê ainda ações para elevar a produtividade das empresas, estimular inovação industrial, ampliar a agregação de valor à produção, incentivar a internacionalização dos negócios e criar condições para o surgimento de novos setores econômicos.
A estratégia também pretende aproximar diferentes segmentos da economia, conectando agropecuária, agroindústria, indústria, comércio, serviços, turismo, bioeconomia e transformação digital.
Reforma tributária
Um dos principais desafios políticos e econômicos do próximo período será a Reforma Tributária. O próprio plano de governo considera que os incentivos fiscais utilizados como instrumento de atração de investimentos terão seu espaço progressivamente reduzido a partir de 2029, com previsão de extinção até 2032.
A mudança obrigará Mato Grosso do Sul a buscar novas formas de manter sua competitividade e continuar atraindo empresas. A proposta de Riedel prevê adaptar os programas estaduais ao novo sistema tributário, reestruturar incentivos voltados às cadeias agropecuárias e criar mecanismos compatíveis com as novas regras.
Nesse cenário, infraestrutura, produtividade, tecnologia e segurança jurídica deverão ganhar peso nas decisões de investidores. O governo também pretende ampliar a inteligência de mercado, prospectar novos negócios e aumentar a capacidade de empresas estaduais de acessar mercados nacionais e internacionais.
Pequenos negócios
Outra frente do projeto é ampliar a participação das micro, pequenas e médias empresas na nova economia industrial. A proposta prevê medidas para elevar a competitividade desses negócios, estimular a transformação digital e melhorar o ambiente para empreender.
Entre as iniciativas está a digitalização e integração de serviços públicos voltados ao setor produtivo, com a intenção de reduzir o tempo necessário para abertura, licenciamento e regularização de empresas.
A lógica é reduzir obstáculos burocráticos e aumentar a produtividade justamente das empresas que possuem menor estrutura para lidar com processos demorados. Ao mesmo tempo, o governo pretende estimular investimentos em tecnologia e inovação, considerados fatores cada vez mais importantes para a competitividade econômica.
Agroindústria
No setor agroindustrial, a proposta inclui maior agregação de valor à produção, aproveitamento de coprodutos e resíduos e estímulo a novas cadeias produtivas.
Também estão previstos programas de agroindustrialização voltados a associações e cooperativas da agricultura familiar, além de investimentos em pesquisa aplicada, conectividade e modernização tecnológica.
A intenção é ampliar o número de atores beneficiados pela transformação econômica, incluindo cooperativas, produtores, prestadores de serviços, empresas de tecnologia e empreendedores.
Empregos
Os resultados recentes são utilizados como base para sustentar a estratégia. No período considerado pelo plano, Mato Grosso do Sul registrou mais de 19 mil empregos formais, enquanto mais de 500 mil qualificações profissionais foram realizadas em três anos. A Funtrab também ampliou sua presença nos 79 municípios do Estado.
Para Riedel, entretanto, o crescimento econômico precisa estar conectado à formação profissional e à geração de renda. A lógica é preparar trabalhadores para as novas oportunidades e, simultaneamente, preparar empresas locais para disputar os contratos que surgirão com a expansão industrial.
O desafio, portanto, vai além de atrair bilhões de reais. A aposta política para o próximo ciclo é transformar o volume de investimentos em uma rede econômica capaz de gerar empregos, fortalecer empresas e ampliar a renda dentro do próprio Estado.
“Nossa proposta reúne qualificação, inovação, produtividade, simplificação regulatória e participação de fornecedores como partes de uma mesma estratégia”, afirma o governador.
Se a estratégia for implementada, a nova fase da industrialização de Mato Grosso do Sul terá como principal indicador não apenas o valor dos investimentos anunciados, mas a capacidade de esses recursos alcançarem a economia real — dos grandes complexos industriais às pequenas empresas, do campo aos centros urbanos e dos novos postos de trabalho à renda das famílias.
Fonte: Redação
Foto: Saul Schramm/Ascom