Com crescimento acima da média nacional e a chegada de grandes indústrias no Estado, jovens buscam qualificação para ocupar vagas abertas. Um dos principais desafios é atender a demanda do mercado, com suas exigências técnicas, já que falta de mão de obra especializada nas cidades que recebem estes investimentos privados bilionários.
Mato Grosso do Sul fechou 2025 com saldo de 19.756 empregos formais e reúne grandes investimentos industriais, enquanto 37,2% dos ocupados ainda estão na informalidade. Cidades como Ribas do Rio Pardo, Inocência, Três Lagoas e Bataguassu estão dentro de um grande cenário internacional da celulose. Muitas oportunidades abertas.
Um dos desafios da gestão estadual é que estes grandes investimentos que chegam ao Estado não produzam apenas fábricas, obras e estatísticas, mas também oportunidades acessíveis aos trabalhadores que já vivem nos municípios onde esse novo ciclo se instala.
É nesse ponto que a gestão do governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, procura articular atração de investimentos, infraestrutura e qualificação profissional. A proposta é aumentar as condições para que uma parcela maior das vagas abertas pelas novas indústrias e cadeias produtivas seja ocupada por trabalhadores formados no próprio Estado.
Saldo positivo
Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com saldo positivo de 19.756 empregos formais e 689.951 vínculos com carteira assinada, crescimento de 2,91% em relação ao ano anterior.
O avanço não ficou concentrado em apenas uma atividade. A construção civil liderou o saldo anual, com 5.873 empregos, seguida pelos serviços, com 4.835, indústria, com 4.536, comércio, com 3.258, e agropecuária, com 1.256.
Os números revelam uma economia em processo de diversificação. Mas também expõem uma questão que se torna cada vez mais importante à medida que novos empreendimentos chegam ao Estado: quem está preparado para ocupar as vagas de maior qualificação?
Nos primeiros meses de 2025, o município registrou 1.385 admissões e saldo positivo de 730 empregos, resultado que o colocou entre os maiores geradores de vagas de Mato Grosso do Sul naquele período. A mudança levou também à instalação de uma unidade da Casa do Trabalhador, criada para aproximar empresas e profissionais.
Vale da Celulose
A cadeia florestal tornou-se uma das expressões mais visíveis dessa mudança. Em 2025, Mato Grosso do Sul possuía aproximadamente 1,75 milhão de hectares de florestas plantadas, área mais de cinco vezes superior à registrada dez anos antes. Os investimentos previstos no setor podem superar R$ 70 bilhões até 2028.
O impacto ultrapassa os limites das fábricas. Produção florestal, transporte, manutenção industrial, alimentação, alojamento, comércio e fornecedores passam a integrar uma cadeia que, no início de 2025, já reunia mais de 14,9 mil empregos diretos e aproximadamente 12 mil indiretos.
Em Inocência, o projeto da Arauco foi aprovado com investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 25 bilhões na cotação divulgada em 2025. A unidade deverá ter capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano.
Em Bataguassu, outro empreendimento prevê investimento de US$ 4 bilhões, aproximadamente 10 mil empregos durante as obras e cerca de 3 mil postos na fase de operação.
Em maio de 2025, uma lei estadual oficializou a denominação Vale da Celulose e autorizou políticas integradas de desenvolvimento sustentável, logística e qualificação profissional.
A escala dos investimentos, porém, traz um problema que acompanha praticamente todos os ciclos de expansão acelerada: uma vaga criada em determinado município não significa necessariamente uma vaga ocupada por quem já mora ali.
“A criação de empregos, porém, não elimina automaticamente as desigualdades locais. Grandes obras atraem profissionais de outras regiões quando os municípios não dispõem de trabalhadores qualificados em quantidade suficiente. Essa é uma preocupação constante de nossa parte”, afirma Riedel.
É justamente nessa fronteira que a experiência de Geovana ganha dimensão mais ampla. Ter uma fábrica instalada na cidade cria oportunidades; possuir a formação necessária para atravessar seus portões é outra questão.
Fonte: Redação
Foto: Imagem gerada IA